Milão, elegância do norte

Por Alexandre Costa

mapa 02Se Milão tiver de ser definida por apenas uma palavra, ela é elegância. Principal centro econômico, da moda e do design italiano (o que não é pouca coisa), Milão pode ser considerada fria e esnobe por muita gente, mas apesar de não compartilhar do charme das cidades com mais personalidade ao sul da península, ainda assim possui muitos encantos – com destaque para o belíssimo Duomo, o imponente Castello Sforzesco e o mural A Última Ceia, obra prima de Leonardo da Vinci.

O maior problema de Milão, entretanto, tem a ver com esta faceta endinheirada: a cidade tem preços pouco convidativos para viajantes com orçamento limitado, como este que vos escreve, o que se torna um desafio na hora de buscar aquela hospedagem por um preço camarada. Eu e minha mulher acabamos nos hospedando em um pequeno hostel no bairro chinês (chamado B&Brera, por estar perto da descolada região de Brera) e pagamos 72 euros por duas noites em quarto para quatro pessoas – foi, de longe, o pior custo benefício de todo o nosso período de 20 dias na Itália.

Aliás, uma dica importante para quem quer viajar sem estourar o orçamento é escolher muito bem onde se hospedar. Não é preciso ficar num albergue junto com 50 adolescentes em férias (isso já aconteceu comigo em Barcelona) para economizar, basta bom senso na hora de pesar os prós e contras de cada opção – lembrando sempre que na Europa o quarto de hotel é um lugar que você só vai encontrar na hora de dormir e que aqueles 20 euros por dia de diferença entre um hotel mais simples e outro mais ‘equipado’ viram um bonito rombo de 400 euros após três semanas de viagem…

Mas questões financeiras à parte, Milão certamente já valeria a visita por conta do Duomo, a suntuosa catedral que teve sua construção iniciada no século XIV e só foi plenamente concluída na década de 1960. Por dentro ou por fora, é sem dúvida uma das mais belas igrejas da Europa – e isso certamente não é pouca coisa.

A catedral está localizada na principal praça de Milão (que recebia multidões ensandecidas para os discursos de Benito Mussolini – o que já diz um pouco sobre a cidade…) e é ladeada pela pomposa Galeria Vittorio Emanuele e pelo Palazzo Reale. Sua imponente fachada branca conta com incríveis 135 pináculos e 3.200 estátuas, enquanto seu interior conta com outras belíssimas esculturas e os maiores vitrais entre as igrejas cristãs.

O ingresso que dá direito a visitar a catedral, subir ao terraço da igreja, conhecer suas fundações e ter acesso à igreja de San Gottardo e seu interessante museu (a entrada fica em uma rua lateral ao Duomo) custa 12 euros – o preço vai para 16 euros se você quiser subir ao terraço de elevador e não de escadas. Se você não tem problemas de locomoção, gastar esses quatro euros a mais não faz sentido: além de não se tratar de uma escadaria tão puxada (nenhuma comparação com a ‘escalada’ da Basílica de São Pedro, no Vaticano), a fila para usar o elevador faz qualquer um se arrepender de não usar as pernas para chegar ao teto.

Ao lado do Duomo está outro símbolo de Milão: a Galeria Vittorio Emanuele. Esse monumento à ostentação, com sua bela entrada em forma de arco, está repleto de lojas de grifes famosas e seus preços pornográficos. Para os viajantes com bolsos (e gostos) normais, vale apenas uma passada rápida para se divertir com a completa falta de sentido da sociedade de consumo que considera símbolo de status comprar uma bolsa de 5.000 euros.

 

Outro ponto alto de Milão é o Castello Sforzesco, antiga fortaleza transformada em lar da poderosa dinastia Sforza durante a Renascença (e cujas defesas foram projetadas por Leonardo da Vinci). Hoje o local abriga sete museus com acervos repletos de objetos históricos e de arte de diferentes períodos, em especial obras góticas da região da Lombardia.

O destaque do acervo é a última (e inacabada) escultura de Michelangelo, a Pietà Rondanini. A obra reina absoluta em uma sala com iluminação especial, o que contribui para o clima de reverência à arte do gênio florentino, que morreu em 1564, aos 89 anos, ainda trabalhando na escultura que retrata Jesus morto nos braços da Virgem Maria.

 

 

A dica final de atração imperdível de Milão exige organização do viajante: a contemplação do icônico mural A Última Ceia, obra prima de Leonardo da Vinci. Localizado em uma parede do refeitório anexo à Basílica de Santa Maria delle Grazie, Il Cenacolo Vinciano (nome em italiano da obra) limita bastante o número de visitantes – são cerca de 300 por dia, em grupos de 25 pessoas por vez. Os ingressos custam cerca de 12 euros e devem ser comprados pelo site oficial com uma antecedência de três a quatro MESES!!!

É preciso ficar atento ao site, que informa o dia exato no qual será aberta a venda de ingressos para cada mês. A disputa é grande – quando comprei meus ingressos para fevereiro, entrei no site pela manhã do primeiro dia de venda em novembro, por volta das 8h, e eles já estavam quase esgotados. Portanto, lembre-se do fator fuso horário – em relação ao Brasil, o horário na Itália varia de três a cinco horas para mais. Se vacilar, adeus passeio.

Com o ingresso na mão, você deve chegar com pelo menos 20 minutos de antecedência à Igreja Santa Maria delle Grazie, porque as visitas são extremamente pontuais – se você se atrasar, adeus passeio (2). Cada grupo de visitantes fica apenas 15 minutos no salão onde A Última Ceia foi pintada entre 1495 e 1498, e esse tempo passa voando. É impossível não se emocionar ao ver com seus próprios olhos uma obra de arte que faz parte do acervo cultural de toda a humanidade, assim como também é impossível não embarcar, pelo menos em parte, nas teorias conspiratórias do escritor Dan Brown no livro Código da Vinci – especialmente na qual ele alega que Leonardo pintou entre os apóstolos a imagem de Maria Madalena. Não sou especialista no tema, mas é difícil negar que a imagem ao lado de Jesus na obra de arte é uma representação feminina…

 

Saindo de Milão o turista tem algumas opções de passeios de um dia, tanto para os lagos próximos à cidade quanto para estações de esqui. Pode ser uma boa opção para quem vai passar mais tempo na região, mas como nós ficamos apenas dois dias completos na cidade não tivemos a chance de experimentar estes passeios. Tendo em vista os encantos maiores que a Itália reserva, dois dias é o bastante para conhecer as atrações principais de Milão.

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