Serra do Cipó, trilhas e cachoeiras

Por Alexandre Costa

O Parque Nacional da Serra do Cipó está localizado a menos de 100 quilômetros de Belo Horizonte, mas a sensação ao visitá-lo é a de que estamos muito longe da civilização. Com uma área enorme e atrações fenomenais, o parque e a região do entorno oferecem aos exploradores belas trilhas e cachoeiras, algumas a poucos minutos de caminhada, outras a vários quilômetros. Indicadíssimo para quem curte o contato com a natureza.

Não perca a gigantesca Cachoeira do Tabuleiro, em Conceição do Mato Dentro, a cerca de 90 quilômetros do Parque Nacional. A terceira maior queda d’água do Brasil não se impõe apenas pelo tamanho, mas também pela beleza…

Serra do Cipó 01

A principal base para a exploração da Serra do Cipó é a cidade de Santana do Riacho. Em seu núcleo turístico, que é cortado pela estrada estadual MG-010, é possível encontrar diversas pousadas e campings, das mais simples às mais sofisticadas (ficamos na rústica e acolhedora Bangalôs Cipó). A estrutura da região é muito boa, com dois mercados e alguns restaurantes à disposição (indico o restaurante Cipó Rural, com ótima comida caseira à vontade por um preço muito convidativo).

O Parque Nacional possui duas entradas, que levam a atrações diferentes. Da entrada principal, localizada a cerca de 5 quilômetros de Santana do Riacho, partem os caminhos para mirantes, lagoas e as duas estrelas da Serra do Cipó: o Cânion das Bandeirinhas e a Cachoeira da Farofa. Da entrada secundária do parque, a cerca de 4 quilômetros da cidade, é possível acessar as cachoeiras do Gavião, das Andorinhas e do Tombador (essa última acabamos não visitando por falta de fôlego).

Serra do Cipó 02.jpg

Para conhecer os principais atrativos do Parque Nacional é preciso gostar de trilhas e ter disposição, pois as distâncias são realmente significativas. Para o Cânion das Bandeirinhas, por exemplo, são cerca de 24 quilômetros de caminhada (ida e volta). A Cachoeira da Farofa fica numa bifurcação da mesma trilha, a 8 quilômetros da entrada do parque – logo, 16 quilômetros no total. Reserve o dia todo para a aventura e comece cedo, para não estar na trilha quando escurecer.

A grande dica para conhecer essas duas atrações é alugar uma bicicleta na entrada do parque. A diária custa em torno de R$ 40 e pode ter certeza que você não vai se arrepender: o passeio é muito bonito e quem gosta de um pouco mais de aventura vai poder exercitar suas habilidades pedalando em terrenos acidentados.

Serra do Cipó 03

Para sorte de todos, grande parte da trilha é percorrida em uma estradinha de terra que só se torna desafiadora após dias de chuva. Visitei o parque com minha esposa e seu irmão justamente após alguns pés d’água e tivemos de encarar belíssimos lagos formados pela água empoçada na estrada, o que tornou o passeio muito mais divertido e cansativo.

Dica importante dada por um guarda do parque: se você for de bicicleta até o Cânion das Bandeirinhas, pode atravessar o Rio Mascates empurrando as magrelas sem medo. Ainda vai haver muita trilha do outro lado da margem para se fazer pedalando – o trecho que só pode ser feito a pé começa nas pedras, já bem perto do cânion…

Serra do Cipó 05

Como estivemos no parque após uma semana de muita chuva, encontramos o cânion cheio. Foi preciso atravessarmos pela água para chegarmos ao centro da formação de pedras, mas o esforço valeu a pena. A vontade que dá é continuar seguindo rio acima (são vários níveis de pedras, formando diferentes piscinas naturais), apesar da prudência indicar o contrário.

No caminho de volta para a entrada do parque, faça um desvio para conhecer a Cachoeira da Farofa. Nesta parte a trilha estava ainda mais alagada e exigiu muita força nas pernas. O perrengue mais uma vez foi recompensado, entretanto: a grande cachoeira, que pode ser vista desde a trilha para o Cânion das Bandeirinhas, é belíssima e possui uma ótima piscina para banho. Também é fácil chegar até embaixo da queda d’água, para a tradicional recarregada de baterias antes de encarar o resto da trilha…

As cachoeiras do Gavião e das Andorinhas, acessadas pela segunda entrada do Parque Nacional da Serra do Cipó, também valem a visita: apesar de menores que a Cachoeira da Farofa, são muito bonitas. A trilha até as duas (elas estão praticamente uma diante da outra, em braços opostos do Rio Bocaina) tem cerca de 14 quilômetros de extensão (ida e volta), e é um espetáculo à parte, com muitas paisagens diferentes quebrando a monotonia da caminhada. Isso sem falar nas mangueiras carregadas que encontramos pelo caminho, repletas de mangas docinhas. Haja fiapo!

A Cachoeira das Andorinhas fica na bifurcação à direita da trilha e foi complicado chegar até sua queda d’água. É preciso atravessar o rio, às vezes pelas pedras, às vezes pela água, e só contamos com a intuição para escolher os melhores caminhos. A aproximação final se dá por algumas pedras grandes e inclinadas, o que aumenta o risco de acidentes – minha esposa preferiu apreciar de longe…

Cachoeira das Andorinhas.jpg
Cachoeira das Andorinhas

A Cachoeira do Gavião, do lado esquerdo da trilha, é mais convidativa para os turistas: o acesso é fácil e a queda d’água acontece numa grande piscina natural. É ideal para um mergulho.

Cachoeira do Gavião
Cachoeira do Gavião

Fora do Parque Nacional, a atração imperdível é a Cachoeira do Tabuleiro. Localizada no município de Conceição do Mato Dentro, ela só é acessível para quem está de carro – inclusive demos carona para um turista que tinha ido de Santana do Riacho até Conceição de ônibus, mas não tinha como chegar ao início da trilha que fica a 22 quilômetros do centro da cidade.

Cachoeira do Tabuleiro 01.jpg

Apesar da distância considerável para quem está na Serra do Cipó, a visita definitivamente vale a pena. Com 273 metros, é a terceira maior cachoeira do Brasil, atrás apenas da Cachoeira do Aracá (AM), com 365 m, e da Cachoeira da Fumaça, na Chapada Diamantina (BA), com 340 m.

Localizada dentro de um parque municipal bem cuidado, antes do começo da trilha para a cachoeira recebemos coletes salva-vidas e instruções de segurança. Para quem não tem pique para encarar a caminhada até a base da cachoeira (são 5 quilômetros de trilha, ida e volta, grande parte sobre pedras), uma boa opção é fazer a caminhada pequena, mas puxada, até o mirante que descortina uma vista incrível para a queda d’água.

Cachoeira do Tabuleiro 08.jpg

A trilha para a cachoeira exige um bom preparo físico e um pouco de experiência em atravessar terrenos irregulares e formações de pedra. Após um longo trecho de descida por um caminho demarcado você chega ao leito do rio. Aí, vai depender mais da intuição do que de qualquer outra coisa para escolher os melhores caminhos – existem algumas pedras com setas indicando a rota sugerida, mas muitas vezes você não as encontra…rs

Aqui, como em qualquer trilha, atenção e prudência nunca são demais. É melhor ir devagar, respeitando seus limites, do que lidar com torções ou ferimentos até piores causados por um passo em falso. Não adianta ter pressa…

Depois da penosa trilha, a recompensa chegou de forma magistral. Visitamos a cachoeira na época de chuvas, então ela estava com uma grande queda d’água, formando uma piscina enorme – tão grande, profunda e com correnteza tão forte que não era indicado tentar chegar até a base a nado. Mas isso não foi um problema, pois das pedras às margens da piscina já levamos um belo banho por conta da quantidade absurda de água que respingava da cachoeira. Saímos ensopados e maravilhados, prontos para encarar a subida íngreme da trilha de volta.

Para quem quer curtir belas cachoeiras, mas não tem disposição ou pernas para as trilhas gigantes do Parque Nacional e do Tabuleiro, a Serra do Cipó também é generosa. Praticamente dentro do bairro turístico de Santana do Riacho está localizada a estruturada Cachoeira Grande – que tem como pontos negativos o preço de cerca de R$ 30 por pessoa para ser acessada e o grande número de visitantes. Da portaria até a atração são apenas 900 metros de caminhada tranquila.

Cachoeira Grande.jpg

A Cachoeira Grande não impressiona pela altura (cerca de 10 metros), mas pela largura: são 60 metros de quedas d’água, uma espécie de Cataratas do Iguaçu em miniatura.

A outra atração nível fácil na Serra do Cipó é a Cachoeira Véu da Noiva (uma das 235 cachoeiras no País com esse nome criativo). Ela está localizada dentro de uma espécie de clube com camping, chalés, áreas de alimentação, lazer e piscinas. O visitante pode pagar um valor maior, para passar o dia todo no local, ou uma tarifa reduzida de uma hora, tempo mais do que suficiente para conhecer a cachoeira. Fomos nesta segunda opção.

Cachoeira Véu da Noiva

A trilha tem apenas 400 metros e conta com escadas e corrimões. A cachoeira tem 70 metros de altura e é muito bonita, mas por estar numa área fechada por pedras e vegetação o sol não bate muito forte. Chegamos bem cedo e, após meia hora curtindo a água fria, o local começou a ficar cheio – a impressão que tivemos é que a cachoeira deve ficar realmente entupida de turistas nos fins de semana e feriados. Fuja!

Dicas finais: se você não for da região de BH, fique atento a promoções de vôo para a capital mineira para visitar a Serra do Cipó (o Parque Nacional está a pouco mais de 70 quilômetros do Aeroporto de Confins): eu paguei R$ 285 no vôo ida e volta de Congonhas para lá, com as taxas incluídas. E pense seriamente em alugar um carro, especialmente se quiser chegar até a Cachoeira do Tabuleiro.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s